coleção viver básico – pôster#3: Paulo Bega

dezembro 4, 2014

Inquietude criativa – esta é uma boa definição para o que move Paulo Bega entre suas múltiplas plataformas de criação: fotografia, música e design.

O terceiro convidado de nossa coleção viver básico contribui com uma belíssima imagem em que o nu, elemento fortemente presente em seu trabalho fotográfico, assume na paisagem o lugar dos esperados e tão conhecidos contornos geográficos da nossa costa. As montanhas remetem ao corpo, só que aqui, em plano contrário – é o nu que remete à costa.

foto 1 paulo begafoto: Corumbau – Bahia

Após uma carreira internacional como modelo, durante a qual rodou o mundo e viveu em cidades como Nova Iorque, Milão, e finalmente, Paris, onde permaneceu por muitos anos, Paulo decidiu mudar de lado. O contato com mestres do ofício durante esses anos lhe deu a bagagem inicial. A paixão por “coisas”, pela mecânica dos objetos, lhe deu o conhecimento e domínio técnico que precisava para se profissionalizar rapidamente. A alma de auto-didata curioso e a sensibilidade do olhar lhe deram o resto.

Em seu retorno ao Brasil, mergulhou na fotografia. Trabalhou como assistente de grandes nomes como Otto Stupakov, que retornara ao Brasil no final de sua carreira. Trabalhar com um mestre, nesta fase da vida em que o que lhe resta é a posteridade do que criou e do que passou adiante, consolidou em Paulo o desejo de conciliar um trabalho comercial, que o permitisse viver do ofício, com um trabalho pessoal e autoral. Logo, este segundo veio se destacou e predominou, e Paulo se dedicou quase integralmente à exploração artística, manifesta em um olhar curioso sobre o corpo humano, elemento presente em toda a sua obra. Entre a graça e o erotismo, ele parece enxergar movimento e vida pulsante em tudo que sua lente alcança. Suas fotos são sempre elétricas, despertam algo além dos olhos e da estética pura, sensações mais cruas. A navegação por diferentes técnicas, como por exemplo as montagens, somam ao elemento inusitado no olhar.

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Nos últimos anos, Paulo vem dividindo seu tempo e energia criativos com outros espaços. Desde 2007, forma com Geanine Marques a dupla por trás do Stop Play Moon. Multi-instrumentista e colecionador inveterado de antigos teclados e sintetizadores que usa em suas produções, ele se considera mais compositor do que músico. Suas influências vieram de além da fronteira da música eletrônica ou do rock, da música brasileira ou gringa, vem de uma vida pelo mundo, do contato com gente criativa de todas as matizes, e sua sonoridade reflete isso. Com dois discos gravados e um terceiro em desenvolvimento, o Stop Play Moon é made in Brasil, mas de timbre global.

Stop Play Moon – Teardrops from Dacio Pinheiro on Vimeo.

Como se não bastasse, além de conciliar estas atividades com intensa vida de pai de gêmeas, Paulo se lançou em nova empreitada: o design de luminárias. Como nas demais iniciativas, começou sem saber exatamente como fazer, e aprendeu na medida em que dava vazão às suas ideias. Transformou parte da garagem em que está seu estúdio em uma oficina, e se lançou à obra de criar peças exclusivas, além de recuperar e repensar peças antigas, às quais garimpa incessantemente. Suas peças, como sua música, bebem no antigo, dão modernidade ao que considerávamos velho, mas são indiscutivelmente contemporâneas em sua interpretação de como viver a vida em nosso tempo.

luminaria paulo bega

Com sua energia criativa, seu auto-didatismo, e os belos recortes da vida contemporânea em tudo o que faz, Paulo é outro amigo que nos inspira, e nos ensina que viver básico é dar forma à suas idéias e paixões.

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