coleção viver básico – pôster#2: Toca Seabra

novembro 24, 2014

TOCA01O segundo convidado de nossa coleção viver básico é Toca Seabra, mais conhecido por seu trabalho com imagens em movimento do que pela foto estática: Toca é diretor de fotografia de cinema, desde 1990 assinando trabalhos como “Cidade Baixa” (2004), “O Invasor” (2001) e “Estômago” (2006). A foto escolhida para nosso pôster é uma vista da Gávea, clicada durante um passeio de veleiro em 2010.

Toca começou a fotografar aos 10 anos, com as antigas máquinas 6×9 do pai. Nunca pensou em seguir carreira com cinema – o envolvimento começou de maneira informal, quando um amigo o convidou para ser motorista para um longa-metragem, aos 19 anos. Segundo ele, durante os três meses de envolvimento na produção, o que o encantou foi a qualidade das pessoas. Esse primeiro contato foi o vetor de inspiração que fez com que Toca descobrisse um novo universo e entendesse a fotografia de cinema como profissão possível.

“O cinema é tradicional no sentido em que existem mestres: a arte é um ofício” – para Toca, sua trajetória profissional está muito mais próxima das oficinas renascentistas do que das faculdades contemporâneas. Sua escola foi o trabalho e o empenho em absorver lições de pessoas incríveis, que admirava profundamente – desde aquele primeiro trabalho, foram 15 anos aprendendo, como assistente e operador de câmera, até que assinasse sua primeira direção de fotografia.

A técnica é obrigatória, mas aqui, novamente, entra a figura do homem renascentista: é necessário saber de tudo, impregnar-se de cultura, pois o trabalho do diretor de fotografia não é apenas produzir imagens; é, antes, um trabalho colaborativo, onde sua técnica entra como ferramenta para contar uma história, e sua sensibilidade dá o tom para que sua visão não prevaleça ou empalideça a visão do diretor. É como fazer música – construir algo novo a partir da colaboração de direção, fotografia e arte.

Assim, por entender essa colaboração como um diálogo expressivo, desde o princípio sempre escolheu os projetos com os quais se envolveu preservando sua opção de linguagem. Toca é das pessoas que se levam a sério sem a necessidade de serem sérias: quando reconta sua trajetória, por trás da fala descontraída e das menções aos Stones e ao clima de liberdade pós-ditadura, existe um cuidado apaixonado por seu ofício e suas escolhas, uma opção por um cinema potente: “a vida é muito preciosa”.

As imagens e o olhar fotográfico estão impregnados em seu cotidiano: Toca leva a fotografia consigo aonde vai, e desse exercício nasceu um extenso arquivo de imagens desde a década de 70. Tivemos o privilégio de oferecer uma delas como presente em nossa coleção viver básico  – esperamos que gostem.

#viverbasico é ser autêntico e apaixonado por seu ofício.

#somostodosbasicos

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